Fazendo o papel de observadora, uma terceira pessoa, me vejo
do alto.
Faço isso para entender os porquês, meus medos, minhas
decisões e indecisões.
E percebi que as vezes alguns pilares de nossa vida estão
corrompidos , seja por consequência de acontecimentos do passado, por imposições e repressões da sociedade e
por repressões que assimilamos como nossas.
O materialismo me incomoda. Por toda a vida passamos preocupados
com peso, beleza, com a figura do corpo, com a figura social, necessidades
tecnológicas, alimentícias, de vestuário, e outras, todas impostas.
A vida é muito simples. Muito mais do que se pensa.
Quando foi imposto que a quantidade significava poder,
voltamos a ser animais providos de uma inteligência inferior, com predisposição
ao caos.
Pergunte aos antigos se a alimentação era para apenas matar
a fome, ou para matar os anseios e medos, e vão lhe responder. Foram criadas
necessidades tamanhas que muitas mães não possuem dinheiro para comprar o
feijão, mas compram o refrigerante e a bolacha recheada. Podem ser produtos
baratos, o que facilita a aquisição, mas são carentes em conteúdo. Os únicos
que ganham com isso são os grandes, que estudam quais são os produtos mais
vendidos, quais as tendências, necessidades e o que atrai o Consumidor, e ganha
com o produto infalível.
Não é diferente para a tecnologia, eletrodomésticos,
automóveis, imóveis e outros.
Como observadora penso: Por que eu preciso disso? Eu preciso
disso?
O corpo, a carne, os contornos e o belo são impostos desde
pequenos, por todas as influências externas possíveis. Os pais, o mídia, todos
os meios. da onde meio a padronização dessa beleza? Todos são belos, pois a
beleza em si é um conjunto, a junção de detalhes. Quando olha para uma
paisagem, de um topo de uma montanha ou o nascer do sol, ela bela não só pela
figura em si, mas pelos o que os detalhes resultam nas suas sensações, no seu
pensamento, nas suas vontades. Um nascer do sol não é só um sol num céu
laranja, mas sim a um símbolo que em cada um de nós tem um significado.
Presos à uma fôrma corporal, vêm as pressões e repressões.
"Não posso comer...comer...comer..." Pela
repressão, não entende a verdadeira tensão, acaba comendo, engordando, perde o
confiança.
Como observadora penso: Eu preciso ser assim? Por que
preciso? Qual a real necessidade?
Tendo essa visão externa, vejo que o materialismo me afeta,
e de uma forma que eu não quero mais.
E a vida é simples! Imagine-se sem essas repressões? Sem
essas necessidades? Ah, a liberdade!
Como seria?
Comer o necessário, se preocupar com o que realmente
importa, fazer o que realmente é gostoso. A vida seria muito mais saudável,
mais produtiva, mais alegre.
Assim, não haveria o excesso.
Seríamos mais saudáveis, porque o sabor do pouco já seria o
suficiente para saciar a vontade, o paladar, a saudade do sabor. A quantidade
não seria a real necessidade.
Teríamos o corpo
resultante da nossa saúde.
Haveria maior diversidade de pessoas, pensamentos e
realidades.
Quando não há a necessidade do material por completo,
evoluímos muito.
Mas para isso demanda tempo. O que temos que compreender é a
o excesso não é saudável, nem os extremos.

